Nos corredores das empresas, é comum ouvir sobre o impacto do absenteísmo — ou seja, as ausências dos colaboradores por motivos de saúde. Contudo, há uma face menos debatida e igualmente preocupante: o presenteísmo. Este fenômeno ocorre quando o indivíduo marca presença física no trabalho, mas está ausente do ponto de vista emocional, cognitivo ou de desempenho, frequentemente devido a questões de saúde mental.
O que é Presenteísmo?
Presenteísmo, em termos simples, é estar “de corpo presente, mas mente ausente”. Diferente do absenteísmo, que é facilmente mensurado, o presenteísmo é silencioso e, muitas vezes, invisível aos olhos dos líderes e colegas. Muito associado a quadros de estresse, ansiedade, depressão e burnout, ele compromete o desempenho profissional e pode trazer sérios prejuízos individuais e coletivos.
Exemplos Comuns
- A pessoa comparece ao trabalho, mas sente grande apatia, dificuldade de concentração e lentidão para realizar tarefas.
- O colaborador está fisicamente no escritório, mas vive pensando em preocupações pessoais ou em conflitos internos.
- Mesmo adoecido, por medo de perder o emprego ou receber críticas, o funcionário mantém presença, mas não rende o esperado.
Presenteísmo e Saúde Mental
A saúde mental é um dos principais fatores relacionados ao presenteísmo. Transtornos emocionais são, frequentemente, menos percebidos e entendidos em ambientes de trabalho. A pressão constante por resultados, a falta de reconhecimento e o medo do estigma contribuem para que muitos disfarcem seus sintomas, optando por permanecer no trabalho mesmo sem condições ideais.
Impactos no profissional:
- Sentimento de exaustão permanente
- Autocrítica elevada e sensação de incompetência
- Redução da autoestima
- Propensão ao agravamento dos sintomas emocionais
Consequências para as empresas:
- Queda na produtividade e na qualidade
- Maior incidência de erros e retrabalho
- Adoecimento coletivo e piora do clima organizacional
Causas do Presenteísmo
- Ambiente de alta pressão: Metas inalcançáveis e cobranças excessivas
- Cultura do “herói”: Valorização de quem nunca falta, mesmo doente
- Medo de estigma: Receio de preconceito ao admitir dificuldades emocionais
- Falta de apoio institucional: Ausência de políticas de saúde mental e acolhimento
O Que Fazer? — Para o Colaborador e para a Empresa
Recomendações para o trabalhador:
- Reconheça seus limites: Escute os sinais do seu corpo e mente.
- Busque apoio profissional: Psicoterapia e acompanhamento especializado ajudam a ressignificar emoções e encontrar novas estratégias.
- Converse com líderes confiáveis: O diálogo pode abrir portas para adaptações e acolhimento.
Recomendações para empresas e líderes:
- Promova uma cultura de cuidado com a saúde mental: Incentive conversas abertas e sem tabus sobre o assunto.
- Invista em programas de apoio psicológico: Colaboradores bem assistidos produzem mais e melhor.
- Capacite líderes: Times empáticos reconhecem e acolhem sinais de sofrimento emocional.
Conclusão
O presenteísmo é um importante sinal de alerta, indicando que nem sempre “estar” significa, de fato, “participar”. Investir em saúde mental e em uma cultura organizacional mais humana é fundamental para o desenvolvimento sustentável das empresas e para a preservação da saúde dos profissionais.
Se você se identifica com esse cenário, saiba: buscar ajuda é o primeiro passo para a mudança. E, para as empresas, oferecer suporte é investir no seu maior patrimônio — as pessoas.
Lembre-se: Saúde mental é assunto sério e deve ser prioridade de todos.
Estou à disposição para continuar esse diálogo e oferecer suporte, seja você colaborador ou líder em sua empresa!









